Dólar abre em forte alta com repercussão do 'tarifaço' de Trump ainda em foco

Economia




Na quinta-feira, a moeda norte-americana recuou 1,23% e atingiu o seu menor valor no ano: R$ 5,62. Destoando do mundo, Ibovespa teve uma leve queda de 0,04%, aos 131.141 pontos. Nota de dólar
Jornal Nacional/ Reprodução
O dólar abriu em forte alta nesta sexta-feira (4) e era negociado a R$ 5,75 por volta das 9h20. Na véspera, a moeda norte-americana fechou em queda e atingiu o seu menor valor no ano: R$ 5,62.
O mercado ainda repercute os impactos do “tarifaço global” que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana.
A desvalorização do dólar em relação ao real nesta quinta (3) acompanhou o enfraquecimento da moeda americana em nível global. As principais bolsas de valores do mundo também reagiram aos anúncios e registraram fortes quedas.
As chamadas “tarifas recíprocas” sobre as importações dos EUA foram apresentadas como uma resposta aos países que taxam produtos americanos.
Hoje, a China retaliou a taxação e anunciou que vai impor tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA a partir do dia 10 de abril.
Tarifas maiores devem encarecer produtos que chegam aos EUA, subindo o preço de insumos para a produção de bens e serviços no país. É um cenário que reduz o lucro das empresas e piora a inflação.
As taxas de 10% anunciadas para o Brasil foram as menores do tarifaço. Além disso, as tarifas podem abrir portas para exportadores brasileiros, que podem ganhar espaço com novos parceiros comerciais.
Na agenda econômica dos EUA de hoje, o destaque é a divulgação do relatório de emprego (Payroll) de março. O mercado espera que a economia americana tenha gerado 140 mil empregos no mês passado e que a taxa de desemprego tenha se mantido em 4,1%.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
Às 9h19, o dólar registrava alta de 2,16%, cotado a R$ 5,7501. Veja mais cotações.
No dia anterior, a moeda americana teve queda de 1,23%, cotada a R$ 5,6285. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,5930.
Com o resultado, acumulou:
queda de 2,28% na semana;
recuo de 1,35% no mês; e
perda de 8,92% no ano.

a
📈Ibovespa
O Ibovespa só começa a operar às 10h.
Na véspera, o índice teve alta de 0,04%, aos 131.141 pontos.
Com o resultado, o Ibovespa acumulou:
queda de 0,58% na semana;
avanço de 0,67% no mês; e
ganho de 9,03% no ano.

O que está mexendo com os mercados?
A imposição de tarifas de importação era uma das principais promessas de campanha de Donald Trump.
Desde que assumiu, ele já decretou tarifas sobre grandes parceiros comerciais, como México e Canadá, e impôs taxas sobre produtos específicos, como aço, alumínio, automóveis e produtos agrícolas.
Na quarta-feira (2), Trump finalmente detalhou como funcionarão as tarifas recíprocas. As regiões mais afetadas foram a Ásia e o Oriente Médio, com taxas que ultrapassam 40% em alguns casos. A Europa também foi bastante impactada com tarifas de 20% anunciadas contra a UE.
Especialistas acreditam que esse aumento de preços deve pressionar os custos e reduzir o consumo nos EUA, o que pode provocar uma desaceleração ou até uma recessão na maior economia do mundo.
Com as tarifas recíprocas, aplicadas a mais de 180 países, o grande temor do mercado é de que o “tarifaço” inicie uma guerra comercial generalizada. O cenário de incerteza faz com que os investidores se afastem dos ativos de risco, como os mercados de ações, o que prejudica as bolsas de valores em todo o mundo.
O dólar foi um dos ativos mais afetados. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação às principais moedas do mundo, está em forte queda. O índice caiu cerca de 1,50%, atingindo a menor cotação desde setembro.
As principais bolsas de valores do mundo registram fortes quedas.
Na Ásia, os mercados fecharam em baixa, com destaque para recuo de quase 3% no Japão.
A Europa teve o mesmo desfecho, com quedas na casa dos 3%.
Nos EUA, a situação foi ainda pior: o índice Dow Jones caiu 3,98%, o S&P 500, 4,85%, e o Nasdaq recuou 5,99%.
Na contramão do mercado global, o Ibovespa sustentou os 131 mil pontos. A avaliação de analistas é de que as taxas anunciadas para o Brasil, de 10%, foram as menores do tarifaço. (saiba mais aqui)
Trump chamou o anúncio das tarifas recíprocas como “Dia da Libertação”. O objetivo do presidente é que essas taxas “libertem” os EUA de produtos estrangeiros. A forma para que os outros países evitem as taxas, segundo Trump, é transferindo suas fábricas para os EUA.
Mas as reações foram por outro caminho:
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as tarifas constituem um “duro golpe à economia mundial”. Também declarou que o bloco está “preparado para responder”.
Na Alemanha, o chefe de Governo, Olaf Scholz, considerou que as decisões de Trump são “fundamentalmente erradas” e “constituem um ataque contra uma ordem comercial que criou prosperidade em todo o mundo”.
Na França, o presidente Emmanuel Macron pediu que as empresas europeias suspendam os investimentos planejados nos EUA.
No Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse a empresários do país que as medidas terão “um impacto econômico, tanto a nível nacional como mundial”.
O ministro japonês do Comércio do Japão, Yoji Muto, disse que “Transmiti que as medidas tarifárias unilaterais adotadas pelos Estados Unidos são extremamente lamentáveis e pedi, novamente, (a Washington) para não aplicá-las ao Japão”.
Na China, o Ministério do Comércio pediu a Washington que “cancele imediatamente” as novas medidas, que, afirma, “colocam em perigo o desenvolvimento econômico mundial”. Também anunciou que adotará “contramedidas para preservar seus direitos e interesses”.
No Brasil, o Senado aprovou na terça-feira um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros (entenda mais).
🔎 Tarifas maiores tornam os produtos mais caros, e encarecem também os bens e serviços que dependem desses insumos importados. Isso tende a aumentar a inflação e impactar o consumo.
Por isso, há uma percepção de que os EUA podem passar por um período de desaceleração da atividade econômica, ou até uma recessão da economia — o que tem potencial de afetar o mundo todo.



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