Em entrevista à GloboNews, Armínio Fraga disse ter ficado ‘perplexo’ com a medida anunciada por Donald Trump, que classifica como um retrocesso de séculos. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga em entrevista à GloboNews
Reprodução/GloboNews
O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil, afirmou nesta sexta-feira (4) que ficou “perplexo” com o tarifaço linear sobre importações imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Para Fraga, a decisão norte-americana gera uma situação “bem caótica” com consequências “bastante negativas” para todo o mundo. O economista acrescentou que o Brasil também será impactado negativamente, mas talvez “se machuque menos”.
Na última quarta-feira (2), Trump anunciou tarifas que variam de 10% a 50% sobre produtos importados pelos EUA de diversos países. O objetivo é estimular a indústria americana e favorecer produtos nacionais.
Com isso, produtos exportados por outros países chegarão mais caros aos consumidores norte-americanos, que tendem a deixar de comprá-los, prejudicando empresas estrangeiras – como as brasileiras – que deverão vender menos para os Estados Unidos.
Em entrevista ao programa Conexão, da GloboNews, afirmou que a postura da equipe econômica norte-americana configura um retrocesso de alguns “séculos”.
“[A medida] explicita um mundo que está rachado, que não se entende. As empresas, das maiores até as menores, vão ter que se adaptar, administrar uma situação de enorme incerteza. Então, isso tudo que está acontecendo tem um lado recessivo para o mundo”, afirmou Armínio Fraga.
Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, a tarifa de 10% para produtos brasileiros é, de forma geral, negativa para o Brasil. Ele destaca, por exemplo, a queda dos valores petróleo e da soja exportadas pelo país após o anúncio de Trump.
No entanto, para o economista, alguns setores brasileiros podem se beneficiar com o tarifaço, especialmente aqueles que concorrem com o México, cujos produtos foram sobretaxados em 25%. Isso pode fazer com que o Brasil “se machuque menos” do que outros países.
“Eu tenho alguma esperança de que o Brasil, pelas fórmulas que eles [os norte-americanos] estão usando, isso talvez nos machuque menos. Mas nós estamos trabalhando no mundo inteiro no território negativo. Um vai perder menos do que o outro, mas, em termos absolutos, não há dúvida de que isso para nós também é ruim”, avaliou Fraga.
A reação dos mercados ao tarifaço de Trump
O ex-presidente do Banco Central ressaltou também a reação chinesa – que estabeleceu uma taxação de 34% sobre produtos estadunidenses.
“Desta vez, a China revidou de uma maneira quase que violenta à posição americana. Eles declararam um aumento nas tarifas de importação do que vem dos Estados Unidos. No fundo, explicita o que era uma guerra meio invisível, de forma bem dramática”, disse.
Armínio Fraga enfatizou ainda a oscilação do dólar, o que, para ele, é uma demonstração de que “a turma está olhando para os EUA e dizendo que esse negócio [das tarifas] vai acabar mal”.
“Para mim, neste momento, é só risco. Nas bolsas, está tudo vermelho. No câmbio, a coisa tem oscilado muito”, concluiu.
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