No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 0,50%, cotada a R$ 5,6757. Já o principal índice da bolsa encerrou em queda de 0,38%, aos 132.008 pontos. Notas de real e dólar
Amanda Perobelli/ Reuters
O dólar opera em alta nesta sexta-feira (21), conforme investidores aproveitam o dia de agenda vazia para ajustar a carteira, após uma semana marcada por decisões de juros nos bancos centrais do Brasil e dos Estados unidos, e pela aprovação do Orçamento de 2025 pelo Congresso Nacional.
Entre os destaques do texto — que já devera ter sido votado no fim do ano passado, mas foi adiado por um impasse a respeito do pagamento de emendas parlamentares —, o governo prevê um aumento na arrecadação da União, que deve resultar em um superávit (quando as receitas são maiores que as despesas) de R$ 15 bilhões.
O Orçamento aprovado destina R$ 50 bilhões parra emendas parlamentares, R$ 27,9 bilhões para reajustes salariais de servidores públicos, recursos para um novo Concurso Nacional Unificado (CPNU) e recursos para os ministérios.
No exterior, o dia também é de agenda fraca, com destaque apenas para eventuais falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) — que manteve suas taxas de juros inalteradas entre 4,25% e 4,50% ao ano nesta semana, mas indicou a possibilidade de dois cortes ainda em 2025.
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, passou a operar com volatilidade.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
Às 13h, o dólar subia 0,84%, cotado a R$ 5,7234. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7340. Veja mais cotações.
No dia anterior, a moeda americana teve alta de 0,50%, cotada a R$ 5,6757.
Com o resultado, acumulou:
queda de 1,18% na semana;
recuo de 4,07% no mês; e
perda de 8,16% no ano.
a
📈Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,01%, aos 131.936 pontos.
Na véspera, o índice teve queda de 0,38%, aos 132.008 pontos.
Com o resultado, o Ibovespa acumulou:
alta de 2,37% na semana;
avanço de 7,50% no mês; e
ganho de 9,75% no ano.
O que está mexendo com os mercados?
Investidores aproveitam a falta de novidades e indicadores no pregão desta sexta-feira (21) para ajustar posições em sua carteira de investimento.
Após uma semana marcada por decisões de juros, notícias fiscais e a indicação de que há uma maior preocupação com a economia global, prevalece uma maior aversão ao risco — o que, por sua vez, acaba favorecendo ativos como o dólar, que é considerado a moeda mais segura do mundo.
Durante a semana, tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do banco Central do Brasil (BC) quanto o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), realizaram reuniões para decidir o futuro dos juros em seus respectivos países.
Por aqui, o Copom elevou a taxa básica (Selic) em 1 ponto percentual, ao patamar de 14,25% ao ano. O aumento já era amplamente esperado pelo mercado e marcou a quinta alta consecutiva dos juros no Brasil.
O colegiado ainda sinalizou que o ciclo de alta das taxas não deve parar por aí. Em nota, o BC indicou que ainda poderá aumentar novamente a Selic na próxima reunião, marcada para 6 e 7 de maio.
“Diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao ciclo de aperto monetário em curso, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião”, diz o comunicado.
Até fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, considerado a inflação oficial do país) já acumula uma alta de 5,06% em 12 meses. Até o fim de 2025, a expectativa do mercado, segundo o relatório de projeções do BC, o Boletim Focus, é de uma inflação anual de 5,66%.
Se esse patamar se confirmar, a inflação vai encerrar mais um ano acima da meta do BC. A meta é de 3% e, para ser considerada formalmente cumprida, precisa estar em um nível entre 1,50% e 4,50%.
“Essa decisão encarece o crédito, reduz o consumo e pode desacelerar a economia no médio prazo, mas reforça o compromisso com a estabilidade de preços”, pontua Sidney Lima, analista de investimentos da Ouro Preto Investimentos.
“No entanto, sem ajustes fiscais e um ambiente econômico confiável, os efeitos positivos da alta dos juros podem ser limitados”, afirma.
Diante desse cenário, falas recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o cenário macroeconômico brasileiro, também seguem em foco.
“Eu não acredito que você precise de uma recessão para baixar a inflação no Brasil. Acho que você consegue administrar a economia de maneira a crescer de forma sustentável sem que a inflação saia do controle”, disse Haddad em entrevista ao programa “Bom dia, ministro”, do CanalGov, na última quinta-feira.
Já no exterior, o destaque da semana ficou com a decisão do Fed, de manter as taxas de juros dos EUA inalteradas entre 4,25% e 4,50% ao ano. Apesar de terem sinalizado dois possíveis cortes de juros ainda neste ano, os dirigentes do Fed indicaram que as incertezas econômicas aumentaram no país.
Economistas têm alertado sobre os impactos das tarifas aplicadas pelo presidente americano, Donald Trump. Algumas tarifas estão em vigor, enquanto outras foram suspensas. Leia mais sobre o assunto aqui.
Essas taxas podem aumentar a inflação nos EUA, já que elevam os custos de produção e podem ser repassados ao consumidor final. Além disso, a incerteza causada pelas tarifas e ameaças tem prejudicado a confiança dos consumidores, levantando temores de desaceleração ou até recessão na maior economia do mundo.
Source link